Baianos exigem retratação de Boechat! - Giro Central

Baianos exigem retratação de Boechat!

Boechat disse que a morte do Mestre Moa é "uma bobagem"

marcos holanda casagrande 10/10/2018 00:00:00 Jurídico
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O jornalista Ricardo Boechat, da rede Bandeirantes, disse que não vê agressividade na campanha eleitoral. “Aí tem um capoeirista morto numa briga mas nós somos 208 milhões de pessoas”, argumentou nesta terça-feira (9) na rádio. Para ele a morte do capoeirista mestre Moa do Katendê, assassinado no domingo (7) com 12 facadas, não é um fenômeno da campanha. O assassino é eleitor do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Paulo Sérgio Ferreira de Santana é o homem que atacou mestre Moa. Segundo Reginaldo Rosário, irmão de mestre Moa que estava no local, Paulo Sérgio entrou na conversa deles, estava alterado e afirmou que a solução seria o porte de arma. Ao que Moa disse ao agressor que abrisse os olhos e que o povo corria o risco de perder conquistas.

Ainda de acordo com o irmão do capoeirista, Paulo Sérgio saiu e retornou com uma peixeira com a qual matou o mestre de 63 anos e feriu um primo do capoeirista que não corre risco de morte.

Para Boechat, o ocorrido não configura um fenômeno desta campanha. E completou: “É uma bobagem” comparando aos 65 mil homicídios por ano registrados no Brasil.

Ao caso de mestre Moa se somam outros episódios como a tentativa de atropelamento de um jornalista que vestia a camisa com imagem de Lula, em Curitiba, ocorrido também no domingo; Nesta segunda-feira (8), Anielle Franco, irmã da vereadora assassinada Marielle Franco, foi insultada na rua por um grupo que dizia “Bolsonaro” e “piranha”.


Em tempo: a propósito, leia a carta aberta enviada por amigos de Mestre Boa à BandNews FM:


Caro Boechat, hoje fomos tomados pela indignação devido à uma postura que você teve em um dos seus pronunciamentos críticos. Ontem houve um assassinato que comoveu toda Salvador. Pra você Romualdo Rosário da Costa, pra gente, Mestre Moa do Katendê. Pra você, mais um homem negro assassinado que entra pras estatísticas devido ao alto índice de violência do Brasil, pra gente um legado cultural que teve a vida ceivada, um patrimônio imaterial que foi tirado de nós por motivo torpe, pelo seu posicionamento político. Pra seu conhecimento, já que não é baiano, Mestre Moa não é só um capoeirista, o que já o engrandece muito, visto que a capoeira celebra e representa toda uma resistência pela vida e pela cultura que os negros escravizados mantiveram e hoje se espalha por todo o mundo como uma forte herança brasileira. Moa é, porque não deixará de ser,um pai de família, amigo afetuoso e pacífico, um compositor, cantor, ativista cultural, fundador de um dos blocos mais importantes e significativos da era de ouro dos blocos afro, o Badauê, apadrinhado e cantado pelos também nossos Caetano e Gil, e espalhado para alguns países do Mundo, “o moço lindo do badauê”. Nos sentimos muito mal com a maneira que tratou de uma perda tão relevante pra gente. A morte dele foi por motivo político sim, já comprovado através das testemunhas e pela própria confissão do assassino. Quantos mais serão assassinados nesse processo? Achamos que a imprensa deve ser aliada nesses momentos e averiguar melhor os fatos. A classe artística e a população baiana, como ouvinte da Band News aguarda retratação.

Jornalista Ronan Almeida de Araújo é registrado profissionalmente na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho no Estado de Rondônia sob 431/98

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