No segundo turno, vou votar pelo Brasil - Giro Central

No segundo turno, vou votar pelo Brasil

marcos holanda casagrande 12/10/2018 00:00:00 Politica
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Brigas à parte, já decidi: no segundo turno, vou votar pelo Brasil. Ele é maior do que nossas indiferenças, nossas ignorâncias em não entender o eleitor contrário às nossas ideias, nossa burrice e teimosia de achar que democracia é sair na rua dando porrada em qualquer pessoa porque vai votar no candidato que tem estrela na testa, no candidato assumidamente gay, na mulher que é rotulada de “sapatão”, no quilombola que é tratado como “porco”, achar que a minoria não tem direito igual à maioria, etc. O segundo turno da sucessão presidencial não pode parecer luta de box, onde que tem mais força, ganha a luta.  Eleição não é briga e sim processo de escolha do melhor candidato para governar um município, um Estado, a nação (União) e, principalmente, conduzir seu povo no caminho da liberdade, da retidão, da fraternidade e felicidade. Tanta gente brigando nas redes sociais por causa de eleição como se isso fosse o fim do mundo, ou seja, se aquele candidato que não vou com a cara dele vai ganhar e eu vou me lascar. A vitória de um candidato não é para atender interesse individual e sim coletivo. Quem ganhar vai governar para a nação inteira. Nessa campanha presidencial, a discussão sobre como tirar o país do caos, novamente, ficará para depois das eleições, pois agora é hora de chamar o adversário para a briga porque assim muitos eleitores desejam: quem der mais bordoada, ganha e será urgindo à condição de presidente. O que adiante ganhar a eleição se nada vai mudar porque seis meses depois o eleitor já se arrependeu na escolha prematura e inconsciente. Aliás, em que você votou para governador, senador, deputado federal e estadual no último dia 7? Sinceramente, não sei porque na hora chutei, votei no candidato que meu amigo na porta da escola, local da votação, me pediu, e meu gesto foi para agradar um companheiro e não o destino do Estado e da nação brasileira. O voto virou motivo de chacota da maioria das pessoas: o meu candidato encheu o tanque da minha moto de gasolina; o outro candidato trouxe toda a minha família da linha para votar na cidade; já um candidato que esqueci o nome pagou comida para nós todos, e assim por diante vamos agradecendo nossos candidatos por nos presentear na “festa democrática” como se fosse um dia festivo de churrasco, porque todos os políticos roubam mesmo, então prefiro vender meu voto do que votar conscientemente. É ou não é o que muitos candidatos pensam quando vão votar? Quando não sabemos votar, o resultado é uma tragédia para a sociedade brasileira, que insiste em ser uma das mais desiguais do mundo, a que mais mata, sem falar da corrupção que virou uma epidemia nacional, da qual temos vergonha dessa triste estatística. Outro dia, doeu meu coração quando um repórter perguntou para um senhor, residente no Pará, um Estado muito pobre e um dos mais violentos, o que ele sabe sobre cidadania, sendo que a resposta já era esperada: sei não senhor. Esse é retrato de um país em desordem social, de ódio espalhado para todos os cantos, do verde e amarelo contra os vermelhos e para não ficar barato, o couro come dos dois lados, enquanto nada de ideias que possam dar uma sacudida no país semelhante a um país de primeiro mundo. “Não pergunte o que os Estados Unidos podem fazer por você, mas o que você pode fazer pelos Estados Unidos", afirmou Kennedy à multidão reunida no Mall de Washington na gelada manhã de 20 de janeiro de 1961, quando foi  nomeado presidente dos EUA pelo chefe da Suprema Corte, Earl Warren, em 20 de janeiro de 1961, em Washington. Qual a nossa contribuição por um Brasil melhor? Quase ninguém tem, porém 99,99% da sociedade brasileira possui vários vídeos, inúmeras mensagens e infinitos áudios no seu celular e por meio do aplicativo WhatsApp sobre kit gay, de armas em punho, de candidato a vice falando asneira, de postulante à chefia do poder executivo nacional andando de avião como se isso fosse só coisa de rico, de candidato a presidente se negando a debater com o adversário porque essa é a melhor estratégia da reta final de campanha, o que, na verdade, é uma tremenda covardia tal atitude diante da ótima oportunidade de mostrar à nação brasileira os projetos de todas as áreas que possam ser colocados em prática visando às reais mudanças que possam trazer esperança aos mais pobres e miseráveis do Brasil, que, aliás, são 95% da população nacional, uma realidade que faz desse país o mais desigual em todas as nações do mundo. Na verdade, esse segundo turno presidencial virou um jogo de nós contra eles e eles contra nós. O Brasil que se dane porque o que vale agora é guerra ideológica dos burros contra os inteligentes, de ricos contra os pobres e discutir sobre assunto de interesse da nação é coisa de babaca querendo dar uma de intelectual, algo de gente inútil, porque falar sobre distribuição de riqueza não enche barriga. Falar de Bolsa Família dá voto e dizer que pretende fazer a reforma da previdência, agora, tira voto e esse assunto ficará para depois da posse, quando o “ferro entra” e sempre nos mais excluídos da sociedade, aqueles que se negam a mudar seu jeito de ver o país com visão crítica e politicamente correta para deixar de ser “mula” dos políticos que propagam a mentira como se fosse verdade, uma vez que a mensagem transmitida não será questionada pelo eleitor analfabeto e que mal sabe discernir o que significa o voto com compra de voto. Depois dessas eleições presidenciais, nada vai mudar. Nenhum dos candidatos vai conseguir fazer a verdadeira reforma propositiva correta que tire o país desse atraso de 50 anos, uma estagnação incompreensível, irracional, imaginável e imperdoável, porque o eleitor insiste em votar pensando em si e não na conjuntura nacional, na realidade brasileira, na nação como um todo, ou seja, o voto transformou-se meramente na esperança de receber uma portaria, um emprego, benesses, projetos 0800 que só levam o atraso do Brasil que capenga nesse marasmo revoltante. Parabéns para nós todos brasileiros. Com as ideias individualistas, com os nossos ódios por não concordar os adversários, com os nossos extremismos de querer “muda” com o fuzil na mão em detrimento de um livro literário na mochila escolar, estamos, literalmente, afundando, cada vez, o país no abismo sem precedentes, deixando um legado muito triste para as futuras gerações, particularmente para as nossas crianças, que nada para comemorar no seu dia 12 de outubro porque os nossos governantes estão tirando o sonho e as esperanças de viver numa nação igual a todos, onde a educação seja um modelo e a justiça social seja em plenitude à sociedade brasileira. Por fim, meu voto é pelo Brasil, e qualquer um dos candidatos que ganhar a eleição nesse segundo turno, seja homem e pare de enganar o povo, que é o suficiente para que tenhamos um presidente que será motivo de orgulho dos brasileiros

Jornalista Ronan Almeida de Araújo é registrado profissionalmente na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho no Estado de Rondônia sob 431/98

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